LESÃO DESPORTIVA: MITOS E FACTOS

Atualizado: 14 de mai.

O risco de lesão no exercício físico: poderá um fenómeno complexo beneficiar de abordagens simples? ...


Ponto de partida


Respondendo de forma direta e contundente ao repto lançado no título, poderemos avançar com um claro e rotundo... “talvez”! Isto, é depende. Bom, mas “talvez” porquê? E “depende” de quê? O processo de lesão raramente é simples. Por norma, envolve um vasto conjunto de fatores (logo, é multifatorial) que, ainda por cima, teimam em interagir de formas complexas e não-lineares. Portanto, esperar reduzir o risco de lesão através de processos simples poderá parecer – conforme o ponto de vista – arrogante ou ingénuo. Todavia, porém, não obstante: talvez as abordagens simples constituam um excelente ponto de partida, possibilitando um conjunto de intervenções práticas, baratas e massificáveis que auxiliem uma considerável percentagem da população que pratica desporto. Talvez – e é um talvez bastante hesitante – adotar programas de “prevenção de lesões” complexos, morosos e, por vezes, caros, não faça sentido na maioria das situações. Mais sobre este tema no decorrer do presente ensaio. Detenhamo-nos, porém, na bicuda expressão “prevenção de lesões”. Sejamos humildes: nós não prevenimos lesões. A prova cabal é que elas ocorrem e são, até, frequentes, mesmo em contextos nos quais são implementados sofisticados programas de “prevenção de lesões”. Eventualmente, com uma mistura de ciência, arte e sorte, talvez consigamos reduzir o risco de exposição a certo tipo de lesões (mas não de todas) (Cook, 2016).


Dado o mote para o apaixonante e convoluto tema do risco de lesões (no, ou, associadas ao exercício físico), importa sublinhar que este ensaio constitui apenas um “aperitivo” para um tema por demais vasto e cujo aprofundamento dos seus múltiplos fatores não caberia nesta sede. Discussões mais profundas terão o seu palco em sede própria. De igual forma, arte e ciência avançam, modificam-se, transformam-se, pelo que toda e qualquer afirmação que encontrem neste texto – por mais acutilante e confiante de si própria que possa parecer – está condenada a uma desatualização e crítica. Não constitui este ensaio, portanto, verdade absoluta ou palavra da salvação, mas somente uma pequena semente que visa incentivar à curiosidade. A partir daí, o pensamento crítico, o estudo e a experimentação comp