AULAS DE GRUPO: Motivação ou Refúgio?

Atualizado: 14 de mai.

As aulas de grupo (AG) são parte integrante da esmagadora maioria dos ginásios e academias, sendo fundamentais na retenção dos seus clientes. Apresentam-se-nos como momentos dinâmicos, divertidos e motivantes, onde estamos ladeados por amigos, colegas ou mesmo completos desconhecidos, todos juntos procurando o mesmo: alcançar o sucesso nas tarefas e desafios propostos pelo professor. São aulas que poderíamos dividir em várias categorias, consoante o propósito de cada uma (body & mind, cardio, força, dance & fun…), fornecendo aos alunos um enorme leque de possibilidades, de forma a dar resposta às necessidades e objetivos de cada um. Mas repare-se que boa parte dessas mesmas necessidades e objetivos poderiam ser alcançadas na sala de exercício. Então, surge a questão: “porquê tanto sucesso e importância das AG na cativação e retenção dos clientes.” Os fatores comummente apontados (por alunos e professores) como mais preponderantes para tal, prendem-se com razões do foro social e psicológico, mais concretamente, a necessidade de pertença a um grupo, a interação dentro deste, a motivação de estar a praticar exercício com os pares, a superação dos próprios limites, a competitividade contra os restantes praticantes, a música/ritmo inerentes à aula em questão, a postura dinâmica do(a) professor(a), entre outros fatores que ao leitor certamente irá ocorrer. Partindo deste raciocínio, nas próximas linhas proponho-me a explicar as razões de considerar, tal como afirmo no título do presente texto, que a preferência pelas AG não deverá ser tida como garantia para a retenção dos alunos, na medida em que poderá ser simplesmente uma forma de refúgio para muitos, ou seja, não uma escolha, mas essencialmente uma forma de sobreviver ao que o fitness lhe impõe. Procurarei igualmente expor qual o preço que esse refúgio poderá acarretar para ambos os lados (ginásio e cliente), assim como quais as preocupações que deverão estar presentes na atuação dos instrutores de AG, de forma a tornar a experiência percebida pelo cliente realmente prazerosa.


De facto, o espírito de grupo é uma mais-valia tremenda das AG. Que disso não haja dúvidas. Numa sociedade marcada pela individualidade, onde a tecnologia nos permite estar em contacto com imensa gente, proveniente de qualquer canto do mundo, à distância de um clique, frente a frente num ecrã, as pessoas quase deixaram de saber estar em contacto presencial, especialmente com desconhecidos. E existem vários fatores para tal: personalidades já de si introvertidas, medo de rejeição pelo outro, falta de tempo, foco na tarefa e não na conversa, ausência de assuntos comuns, entre outros mais.

O ginásio não é exceçã