DESATAR OS PÉS AO FITNESS

Atualizado: Abr 7

No início de 2021, chegou o tão esperado novo ano e, com ele, as tradicionais previsões das autoridades do setor. Após um ano de 2020 completamente atípico, onde fomos assolados por uma epidemia sem precedentes, todos ansiávamos por um reboot, por um virar da página para uma normalidade. Contudo, tal não aconteceu e vimo-nos novamente em casa, a trabalhar à distância. Preparamo-nos, à data em que escrevo este texto, para um novo regresso aos nossos locais de trabalho.


Desde 2020, em todo o mundo e em quase todos os setores profissionais, a revolução digital viu-se tão necessária como obrigatória, numa perspetiva de sobrevivência económica. Obviamente que o nosso setor não foi exceção, com a proliferação dos treinos em plataformas digitais, desde os serviços personalizados (ou individualizados), a aulas para grandes grupos.


Neste momento, estamos perto de voltar ao nosso local de trabalho, voltando ao contacto presencial com os nossos alunos. Contudo, o online não desaparecerá, pois provou ser uma ferramenta válida e com bastante aplicabilidade, desde que utilizada com sensatez.


Esta elevação do fitness digital está bem patente nas últimas tendências do ACSM (American College of Sports and Medicine), para 2021 (1), onde ocupa quase todo o top 10. Esta lista procura ser um instrumento de análise às tendências atuais e previsões futuras para o setor, através da análise conjunta de vários indicadores (ou seja, sem pretenderem ser uma certeza absoluta, também não são previsões realizadas “ao calhas” por um tarólogo ou mestre da adivinhação). Nesta publicação encontra-se espelhada a esperada elevação dos métodos virtuais, com o treino online (leia-se: treino acompanhado em tempo real por um profissional), os gadjets tecnológicos (smartwatches, apps, rastreadores de atividade física, cardio-frequencímetros, GPS, etc.) e os treinos virtuais (os vulgares “treinos da net”, onde o praticante executa sozinho e por imitação os exercícios propostos) a ocuparam o top 10 dessa lista. Exponho a lista completa de seguida:


  1. Treino online

  2. Tecnologia digital

  3. Treino com peso do corpo

  4. Atividades outdoor

  5. HIIT (treino intervalado de alta intensidade)

  6. Treino virtual

  7. Exercício e/é saúde

  8. Treino da força com pesos livres

  9. Programa de treino para idosos

  10. Personal Training


De facto, 2020 foi um ano de imensas alterações para o fitness. Vemos isso quando o “vencedor” do presente ano não estava sequer escalado no top 20 das previsões para o ano pandémico (tal como no caso das aulas virtuais).


Antes de passar à análise do que isso poderá representar para o setor, permita-me o leitor um aparte: é com muita tristeza que vejo o Personal Training cair da 5ª para a 10ª posição, em comparação com as previsões para 2020. Contudo, o que considero que possa ser um mau pronúncio para o setor passa pela saída do top 10 (face também ao ano transato) do item “empregar profissionais de Fitness certificados” (ponto que irei desenvolver no final deste texto).


Espero estar errado, espero que este não seja um discurso do Armagedão, mas vamos juntar toda esta informação e visualizar o plano geral que nos espera com estas novas guidelines:


  1. Perda de interesse pela contratação de profissionais qualificados;

  2. Personal Training (presencial) perde importância;

  3. Gadjets e mundo virtual ganham mercado.


Ora, se a maioria dos profissionais qualificados e de excelência ocupa o seu tempo no terreno operacional ou a estudar para melhor servir os seus clientes, então, provavelmente, não deverão ter tempo para desenvolver os seus skills de forma a tornarem-se nuns messias das redes sociais (atenção, postar algo e ter 50 ou 100 gostos não é NADA no mundo virtual). Isto quer-me fazer crer que nos vamos ver a continuar a lutar contra quem manda na social network, perdendo constantemente. E atenção, de nada nos adianta agitar os nossos CV, eles ganham essa batalha, ponto final.


Em tempo de confinamento, muitos de nós nos vimos privados de salários (contudo, com contas para pagar), pelo que a incursão pelo digital foi apetecível e, em alguns casos, necessária. Aí, tivemos um pequeno vislumbre do que teríamos de enfrentar: influencers, personalidades públicas e online coachs bem instituídos e instruídos no processo de atuação virtual, todos eles a elevarem-se e a deitarem-nos por terra. Aceito que haja quem esteja a ler este artigo e esteja a dizer “David, eu dei-me muito bem com o online”. Acredito que sim e fico muito contente, mas não terá sido essa a regra, mas sim a exceção.


Todos ficamos a ver Helenas, Isabelinhas, Ritas ou Salgueiros a passarem-nos a perna, ou melhor, a atropelarem todo um setor: personal trainers e group trainers, pequenos ginásios e grandes cadeias. Ninguém conseguiu ombrear com eles (atenção: não estou a criticar a sua atuação, simplesmente refiro-me ao facto de terem tido uma projeção que não foi alcançada pela maioria dos profissionais da área). Entretanto, reinventamo-nos e fomos construir páginas, blogs, canais, sites e plataformas para nos reerguermos das cinzas – melhoramos, mas continuamos longe. Com a reabertura dos ginásios em meados de 2020, voltamos à nossa praia e ao que melhor sabermos fazer: ao treino individualizado e presencial. Mas o passo já havia sido dado e o online veio mesmo para ficar. Ou melhor, só aí é que tivemos a noção de que ele existia. Até lá, muitos de nós (a grande maioria, provavelmente) não equacionava o online como uma ferramenta com tanta aplicabilidade ou retorno. Enquanto isso acontecia, já muitos estavam a cimentar a sua posição digital. Como tal, vimo-nos obrigados a participar numa luta desigual. De um lado, os “novatos” que possuíam pouca qualidade digital (espaço, equipamento de som, imagem ou edição de vídeo), mesmo que possuíssem uma melhor qualidade técnica acerca do exercício; e, no outro extremo, os “digitais” (que já tinham bem consolidado todo o material necessário para uma comercialização eficaz do seu produto), por vezes (para não generalizar e dizer que seria a grande maioria) sem grande ou qualquer qualidade, competência, habilitação ou formação técnica.


O setor criticou quem já estava instalado nas redes. Fomos os invasores que procuraram justificar a sua hostilidade. Podemos quase afirmar que foi uma nova era dos Descobrimentos, onde percebemos que havia mais qualquer coisa para lá das 4 paredes dos ginásios e quisemos isso para nós, por vezes à força. Mas, a bem ver, teremos de dar a mão à palmatória (por mais que nos custe) e perceber 3 coisas:


  1. Primeiramente, na questão de as pessoas procurarem o produto mais aliciante do ponto de vista visual (o qual despoleta também maior curiosidade, motivação de pertença a esse grupo, etc.) em vez do produto com melhor qualidade (que, na maioria das vezes, teria menor qualidade – imagem, som, vídeo, etc.), temos de fazer mea culpa. Porquê? Porque estivemos anos a gritar “No Pain, No Gain” e, de repente (e apenas por necessidade pandémica), alterámos o discurso para “Exercício é promotor de um melhor sistema imunitário” e que teria de ser prescrito por nós, pois mais ninguém percebia de exercício – porque os “outros” eram apenas artistas circenses, sem habilitações académicas ou legais para tal atuação. Ou seja, de um dia para o outro, quisemos que as pessoas olhassem para o profissional que antes gritava “só mais uma rep”, e passassem a encará-lo como um “sr doutor”. Logicamente, isso não aconteceu. Fomos comparados “aos outros” e perdemos, pois, para o cliente, éramos todos “farinha do mesmo saco”, mas os “outros” tinham um produto mais aliciante;

  2. Relativamente ao facto de muitos clientes dos ginásios não terem voltado para os espaços físicos, mas antes terem continuado nos serviços online, também poderemos ter alguma culpa no cartório, devido à comunicação massiva (e, por vezes, agressiva) durante os tempos de confinamento, propagando a mensagem que “online é igualmente bom, é o futuro” e, depois, por querermos que todos voltassem ao ginásio e ao treino presencial, porque “presencial era o melhor”. No mínimo, temos de admitir que muitos se poderão ter sentido confusos com tanta mudança de discurso;

  3. Por último, temos de perceber que nunca poderemos “lutar” de igual para igual com um influencer, pois não ambicionamos sequer o mesmo. Confuso? De facto, no final todos procuram ganhar o seu salário, mas os caminhos para tal são completamente distintos. O profissional do exercício físico (e os próprios ginásios) procuram o retorno financeiro direto – o cliente paga e o patrão (individual ou empresa) recebe –, enquanto o influencer obtém um retorno indireto – procura os cliques, as visualizações, e recebe em função disso, através das plataformas ou patrocinadores. Ou seja, quase que poderíamos dizer que nem sequer estaríamos no mesmo ramo, apesar de usarmos os mesmos meios.


Ora, no início de 2020 o setor gritava “No Pain, No Gain”; depois, em confinamento, alertou que “exercício é saúde”. Veio o desconfinamento e alterou novamente o discurso para “vamos recuperar o tempo perdido” (ou seja, seguiu novamente para o “No Pain, No Gain”). Vimo-nos em novo confinamento e, com ele, o regresso da importância do exercício para a saúde. Estamos em vias de regressar ao trabalho presencial, ainda antes do Verão: qual será a mensagem daqui para a frente? Quero acreditar que não iremos cometer os erros do passado, mas confesso que não estou propriamente crente que isso acontecerá. Sim, existem exceções. Sim, existem profissionais que não desvirtualizaram o seu caminho e que se mantiveram fiéis à sua metodologia de trabalho. Sim, alguns (quero acreditar que muitos) profissionais sempre aliaram a sua imagem ao exercício em prol de uma melhor saúde (física e mental). Sim, tudo isso. Mas o setor, a grosso modo, passou esta mensagem que descrevi acima.


Fomos e somos movidos pelo momento, pelo imediato, sem pensar nas implicações a médio-longo prazo e, agora, o acompanhamento online saltou definitivamente para as luzes da ribalta, desvinculando-nos da proximidade com os nossos clientes e afastando-nos do nosso propósito: ser realmente Personal Trainers.


ACERCA DO TREINO ONLINE


A meu ver, o treino online deve ser encarado como um treino particular, sob a atenção, vigilância e feedback de um profissional de exercício físico, mas o qual perde a sua componente fundamental e basilar: a individualidade (já vou explicar o porquê). Essa perda é ainda mais notória em novos clientes ou até mesmo nos nossos clientes de longa data, mas que já se mantenham neste registo durante longos períodos.


Por não estarmos presentes, perdemos a componente individualizada, ou seja, a capacidade de bem avaliar o cliente, logo, de particularizar cada detalhe do exercício, o que, por sua vez, diminui a capacidade de monitorização (já de si diminuída por questões técnicas e espaciais: rede, qualidade de imagem, posição estática do equipamento, etc.). Tal não significa que não se possa fazer um bom trabalho, mas apenas que este será antes particular (um para um) e não particularizado (onde existe um procedimento de avaliação, construção e monitorização verdadeiramente personalizados). Amplitudes articulares voluntárias, qualidade contráctil dos tecidos deformados, respostas neurais, índices de esforço ou desconforto. Tudo se torna praticamente impossível de bem inferir.


Qual o perigo, ou melhor, qual a inquietude que devemos sentir a partir desta noção?

Olhemos novamente para 2 das tendências para este ano: aulas virtuais em 6º lugar (que nem figurava no top 20 do ano anterior) e Gadgets/Wearables (os quais sim, já figuram no topo das tendências desde há muito).


Os Gadjets/Wearables (como as bandfit, smartwatches, o-ring, entre outros) estão cada vez mais ao alcance de todos, apresentando funcionalidades e softwares cada vez mais sofisticados e linkados a aplicações cada vez mais intuitivas, inteligentes e com mais dados fornecidos (desde as calorias, número de passos dados, distância percorrida ou qualidade do sono).


Se juntarmos a isso o facto de o modo online proporcionar a possibilidade de realizar aulas virtuais em qualquer dia e a qualquer hora (falsamente publicitadas como sendo de acordo com o objetivo e individualidade de cada um) a um preço simbólico ou, simplesmente, gratuito, facilmente constatamos que o caminho para a perdição é curto e está, de facto, facilitado.


Especialmente aqueles clientes que treinavam no modo “No Pain, No Gain”, onde o que era tido como objetivo primordial seria a instalação de dor muscular tardia, transpirar muito e queimar calorias, esses facilmente se renderão ao mundo virtual. Porquê? Pensemos juntos: exercícios com uma intensidade desmedida + transpirar até desidratar + utilização de wearables para registo de frequência cardíaca e calorias gastas (e que dão um gráfico final fantástico e postável nas redes sociais) + acordar no dia seguinte e não sentir o corpo = treino completado! E daqui surge, naturalmente, a questão: porquê voltar ao ginásio se consegue isso a partir de casa, em qualquer dia e a qualquer hora?


Se a procura por intensidade desmedida era o que procuravam e o conseguiram a partir de casa, a tendência será manter esse registo caseiro, com uma agravante: o facto de poderem não regressar ao modo presencial com o seu PT (manter-se no registo online) ou até mesmo dispensá-lo dos seus serviços – afinal, porquê sair do conforto de casa e/ou pagar por isso? Até porque o dinheiro pago ao PT, ao ser aplicado em equipamento caseiro, dá para montar um belo estúdio em casa e “realizar uns treinos de um canal do Youtube”!


REGRESSANDO AO MODO PRESENCIAL


O profissional que não se deixou levar por modas, aquele que realmente avalia o cliente, constrói os exercícios de forma particularizada e individualizada em cada sessão, monitoriza a sua execução e vai criando objetivos intermédios, fazendo progredir o seu cliente no sentido da melhoria da tolerância e disponibilidade do seu sistema neuro-musculo-articular, esse não deverá ter grandes problemas com o digital, pois a sua falta pelo cliente será realmente sentida. O seu cliente até poderá realizar os mesmos exercícios, nos mesmos equipamentos (no caso de os adquirir), na mesma dose; contudo, não obterá, certamente, a mesma experiência positiva, benéfica e gratificante e, como tal, irá sentir a necessidade de voltar a treinar “à antiga” – presencialmente. E porquê? Porque, no binómio cliente-professor, os profissionais que proporcionam uma experiência de excelência, são, de facto, quem controla o processo de treino. O cliente poderá apresentar os seus objetivos e as suas expectativas (em termos temporais, físicos, de compromisso, etc.), mas o profissional realmente qualificado é aquele que consegue fazer perceber ao seu cliente que, para este atingir o que quer, terá de progredir em vários domínios: na colmatação das suas indisponibilidades, na melhoria das suas disponibilidades e, mais tarde, no aumento das suas performances, após todas as estruturas e competências necessárias estarem dominadas. É um processo continuo, dinâmico e, acima de tudo, individual, logo, não será alcançado (na esmagadora maioria das vezes) através do auto-treino e, muito menos, através do treino pré-escrito sob a forma de aulas online para uma comunidade com uma imensa variabilidade. Ou seja, é necessário algo fundamental: conhecimento.


HABILITAÇÕES


Atemos a última ponta solta que deixei ainda no início deste texto: a minha preocupação para com a saída do top 10 da “formação e certificação dos profissionais”. Espero estar completamente errado, mas penso que haverá uma proliferação de “malabaristas” nas salas de exercício. Se a qualidade se paga e se as casas (grandes e pequenas) estão com as finanças “no vermelho”, então, não me parece que a solução passe por contratar mais e melhores profissionais. Pelo contrário, a correção financeira será, muito provavelmente, ao nível do seu encargo de maior envergadura, mas mais fácil de corrigir: a mão de obra. Não me admiraria ver bons profissionais a serem substituídos por um professor mais baratucho, caso isso melhore o equilíbrio financeiro do espaço; não me iria cair o queixo se eu visse um bom profissional a deixar de ter tantos clientes porque na casa ao lado “tem lá um PT muito simpático que cobra menos”. Isto que estou a dizer sempre aconteceu (apenas não demos muita importância), mas temo que, agora, a sua frequência seja exponencialmente maior. Penso que os euros irão valer, em alguns casos, mais do que o conhecimento e a competência. Talvez não dos mais qualificados, pois esses deverão ser considerados imprescindíveis, mas dos que estão logo abaixo – os que designei de “bons” –, os que estão no início da carreira ou os que possuem menos alunos. Contudo, tal como disse acima, espero estar completamente errado.


De facto, até deveria de ser este o caminho adotado: só ficam os melhores. Seria a melhor forma de diferenciação dos restantes espaços: a diferenciação pela qualidade e pela excelência, num verdadeiro processo Darwiniano de seleção natural. E o que são “os melhores”? São os que têm mais experiência e/ou alunos? Não necessariamente. Para mim, os “melhores” são aqueles que perceberam que o caminho do conhecimento se faz caminhando, que não são donos da verdade absoluta e que sabem que esta provavelmente nunca será alcançada, mas que, ainda assim, procuram todos os dias estar mais perto dela.


O único fator que poderá, a meu ver, fazer com que esta dispensa de bons profissionais não aconteça, prende-se com o previsível aumento da sensibilidade dos clientes ao valor das coisas, ou seja, a relação percebida entre o que paga e o que recebe. Quero com isto dizer que os clientes (antigos e novos) terão uma maior cautela com os seus gastos. Não significa, necessariamente, que se irão conter financeiramente, apenas que, a gastar dinheiro, que seja na melhor experiência possível, com a maior qualidade possível. E, aí, “quem tem unhas que toque guitarra”; quem tiver conhecimento e promover uma experiência de excelência, sairá por cima certamente.


Não pensemos que todos os portugueses perderam poder de compra. Esse pensamento estará equivocado. Muitos, pelo simples facto de trabalharem a partir de casa ou de se encontrarem em lay-off, ao não terem as despesas das viagens casa-trabalho-casa, acabam por ficar com um saldo mais positivo ao final do mês comparativamente ao normal. Isto, claro, sem contar aqueles cujos negócios simplesmente prosperaram com a pandemia.


Assim, deixo-vos as minhas previsões para o que resta de 2021:


  1. Quem resolveu enveredar pela tendência de incorrer pelo digital como o seu produto de base, prepare-se para duras batalhas contra os famosos e os donos desse mercado;

  2. Quem não for de modas e continuar a rever-se na atuação no terreno, ou seja, presencialmente, então o meu conselho será para que aposte em formação de qualidade, ou melhor, de excelência. Que se procure valorizar e tornar-se, de facto, imprescindível para os seus clientes, pois os clientes estarão mais sensíveis ao valor do serviço.

Num ponto penso que todos estaremos de acordo: o mundo do fitness mudou. QUANTO? COMO? Isso só depende de nós.


© David Costa, 2021.

Direitos de autor protegidos por lei.


Bibliografia:


1. https://www.acsm.org/read-research/trending-topics-resource-pages/acsm-fitness-tren

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