OS PRINCÍPIOS DO NEGÓCIO DE PT

Atualizado: 8 de jun.

Sobre os posicionamentos a ter em conta para um bom profissionalismo e mais retorno financeiro ...


Caro leitor, hoje venho falar sobre os princípios que devem reger, em minha opinião, a carreira de qualquer profissional de Fitness. E não é de estranhar que são também os princípios da nossa escola, porque quando fundei a mesma, em vez de pensar apenas e só em nós e no nosso lucro, achei que tinha de haver coerência entre o procedimento da escola e o procedimento profissional dos alunos que formaríamos.


Neste sentido, estabelecemos que para a progressiva melhoria do nosso sector, deveríamos nutrir uma visão que acreditasse que o sucesso dos profissionais de Fitness deve ser alcançado pela qualidade do serviço técnico, e uma missão que se comprometesse com a construção qualitativa do sector do Fitness pela formação de profissionais capazes de atender à especificidade e individualidade dos praticantes. Depois, para que no nosso dia-a-dia laboral possamos estar sempre orientados com estas duas perspectivas, será imprescindível adotar outros princípios regentes do nosso comportamento comercial e técnico. Assim, nasceram 4 valores a praticar: criticismo - habituarmo-nos a pensar o treino sem estar subjugados à guias gerais de prescrição, credibilidade - basear a nossa prática na ciência e na lógica experiêncial, especialização - focarmo-nos num ramo de atendimento, num tipo de cliente e objetivos/necessidades, em vez de tentarmos ser bons em tudo, e, por fim, excelência - fazermos sempre o nosso melhor!


Mas, será que nos vão ver dessa forma?? É que uma coisa é a forma como nos definimos, outra será a forma como nos definem os outros... e o objetivo de qualquer negócio é que as duas definições - a nossa e a de quem nos compra - estejam próximas, idealmente alinhadas.


Resultados de um inquérito

Definir visão/missão/valores não chega para a saúde de qualquer negócio, seja uma escola de formação, seja um serviço de Personal Training. Importa também monitorizar se as pessoas que nos rodeiam - os nossos clientes e potenciais clientes - nos reconhecem tais comportamentos. Sim! porque acima de tudo temos de ser coerentes entre a forma como nos definimos e o nosso comportamento, isto é, um Personal Trainer deve comportar-se de acordo com os valores que definiu para a sua marca/serviço, tal como uma escola de formação deverá espelhar diariamente o mesmo.


Assim, a nossa escola submeteu um inquérito anónimo à nossa vasta base de dados de seguidores, praticamente todos a laborar no sector profissional do Fitness (que engloba quer Técnicos de Exercício Físico, quer cargos diretivos/coordenação, quer tenham sido já nossos alunos, quer não), dos quais cerca de 100 pessoas disponibilizaram-se para responder. As respostas possíveis incidiam sobre se concordavam ("nada", "pouco", "suficientemente", "bastante" ou "totalmente") com perguntas que espelhavam de forma literal e inequívoca a visão, missão e valores em que nós acreditamos (tal como os defini acima).


Visão e missão


Sobre a visão e missão, cerca de 72% concordou "totalmente", 26% "bastante", e apenas 2% respondeu "suficientemente". Estes resultados significam que nós - a escola REP - não está sozinha, quando defende que o sucesso do Fitness depende muito da vertente técnica e que a formação contínua cumprirá um papel muito grande no alcançar desta meta. Ou seja, o mercado está a mudar - pelo menos do lado dos que proporcionam a "mão de obra", os TEF, e está a mudar para melhor, aparentemente, e de forma a dar cada vez menor lugar a posicionamento supérfluos e pouco dignos de uma profissão de Saúde.


Valores:


Entretanto, sobre os valores - e que são os valores que igualmente recomendamos a todos os profissionais do exercício físico - os resultados foram igualmente favoráveis. Apesar das respostas que manifestam que concordavam "totalmente" e "bastante" estarem mais divididas do que aconteceu no questionário anterior, os resultados esclarecem com clareza que a esmagadora maioria das pessoas inquiridas concorda que TEMOS DE PENSAR MAIS E MELHOR O TREINO, que devemos ACTUAR COM BASE EM EVIDÊNCIAS, que convém ADOTAR ESFORÇOS NO SENTIDO DA ESPECIALIZAÇÃO e que importa empreender medidas para se SER CADA VEZ MELHOR!


Também aqui, o público a manifestar que, não só que a REP está alinhada com o que realmente o ramo técnico do Fitness precisa, mas fundamentalmente que a mentalidade dos profissionais está coerentemente alinhada com valores nobres, com um profissionalismo digno e credível. E esta mudança é deveras relevante, uma vez que significa que os profissionais estão a começar novamente a alimentar aquilo que os trouxe a este sector: a paixão pelo exercício para a Saúde - a paixão por ajudar os clientes com o melhor que temos - estímulos físicos que impactam física e psicologicamente de forma muito positiva.



Pondo os valores em prática

Criticismo: a arte de duvidar


Com este valor pretendo representar a habilidade de manter tudo debaixo da dúvida. Assim sendo, para nosso bem enquanto técnicos, é benéfico filtrarmos sob a peneira do cliente e da necessidade todas as tentativas de conclusão sobre determinada aplicação de métodos e dos seus prometidos resultados. Em termos práticos, perante duas teorias sobre a eficácia de um dado método de treino, em vez de escolhermos religiosamente uma, ou sequer anular as duas, deveremos antes sujeitar ambas a dois importantes critérios: para quem? com que objetivo?


Exemplo: muitos defendem que é o Lunge o melhor exercício para a extremidade inferior, outros tantos que é o Squat, porém, em vez de tentarmos acreditar que existe tal coisa como o "melhor exercício para algo" - coisa que não existe (ver post: O MELHOR EXERCÍCIO, por David Costa) - talvez seja melhor adotar um posicionamento cético e relativizar as escolhas a dois critérios: de que cliente se trata? que necessidades tem nesta fase?


Credibilidade: a perspicácia de escolher as fontes


Aqui não há mesmo grande novidade. Enquanto lidarmos com a saúde de outras pessoas - enquanto nos pagam para "usarmos" o corpo alheio para fazer uso daquilo que aprendemos - será muito importante garantir a menor margem de erro possível. Neste sentido, há que minorar os "achismos", o nosso "gosto" ou até aquilo que "resultou" connosco. Não, nada disto tem relevância no contexto descrito. Temos de nos proteger, e garantir que a nossa atuação está dentro da justificação plausível que nos poderá proporcionar a ciência e a lógica.


Exemplo: por muito que nos custe, apesar de grande parte das pessoas e profissionais acreditar que os alongamentos previnem lesões musculares, a evidência científica largamente manifesta que não (ver post: A VANTAGEM DE ESTAR ALERTA, e O LADO PESSOAL DO ENGANO, ambos por Paulino Moreira)


Especialização: a humildade de sabermos o nosso limite