A Dialética da Integração

Atualizado: 14 de mai.

Resolvi escrever sobre este tema, na sequência de um artigo de opinião baseada em evidência que habitualmente entrego aos formandos dos meus cursos. É um artigo sobre o Treino Funcional, mais concretamente um escrutínio aos princípios tradicionalmente ensinados, que termina com uma tomada de posição sobre quais devem ser os critérios a ter em conta na atribuição da qualificação de "funcional" a qualquer exercício. Entretanto, não queria deixar de partilhar a minha opinião ao público em geral sobre este assunto.


Por volta do ano 2000, o método designado Treino Funcional (TF) é vasta e internacionalmente propagandeado por Juan Carlos Santana. Na altura, a divulgação contou com um manual intitulado «Funcional Training» que, entretanto, já conta com uma reedição em 2016 (Human Kinetics). Desde então, e cada vez mais, o TF atinge níveis de popularidade que o remetem, eventualmente, para a modalidade mais popular no sector do fitness. Ora bem, a definição de TF que tem sido aceite no sector das ciências do exercício é de que TF é todo o tipo de exercício que treina o indivíduo a lidar de forma efetiva com todas as leis e elementos físicos do seu ambiente (1,2). Entretanto, aqui encontramos já a primeira incoerência: se "funcional" diz respeito à relação entre o corpo e leis da física, então diz respeito ao campo de estudo biomecânica, área que deveria estar largamente explorada nas formações e manuais destes métodos... mas, não está, até hoje, em nenhum. Mas as definições de TF simplificam-se habitualmente numa curta premissa: executar uma dada tarefa para a qual o corpo está destinado (1,2). E aqui encontramos a segunda incoerência: perceber o destino de algo, requer que lhe conheçamos a sua estrutura e função, logo, no caso do corpo humano, a anatomia e fisiologia deveriam estar lar