Exercício no doente oncológico

Atualizado: 14 de mai.

O exercício físico passou a fazer parte da vida das pessoas que se preocupam com a sua saúde, no entanto é ainda entendido por muitos como estando contra-indicado nos doentes com cancro. Após anos de investigação científica, surge agora a possibilidade do exercício atenuar e/ou reverter os efeitos secundários dos tratamentos e ajudar o organismo a lutar contra esta doença. Mas porque continua a ser este um tema pouco divulgado?


Começo, então, pelos efeitos dos tratamentos convencionais, que apesar de criados para destruir células doentes provocam com frequência fadiga extrema, com sensação de cansaço constante, alterações da sensibilidade e funções motoras dos nervos periféricos, “desorientam” o sistema imunitário, podendo atacar as próprias células saudáveis. Podemos dizer que como efeito secundário desencadeiam um estado de inflamação generalizada no corpo do paciente. Por outro lado, o nosso corpo tem uma capacidade natural de lutar contra o cancro através de várias substâncias produzidas pelas nossas células, como o Factor de Necrose Tumoral alfa (TNF-α), as células NK (glóbulos brancos especializados no combate às células cancerígenas), entre outras. Para o aparecimento de um cancro presume-se que intervenham muitos fatores, alguns do próprio doente e outros externos. Dos factores externos, vários poderão estar relacionados com o estilo de vida stressante, da sobrecarga às nossas defesas naturais e de constante inflamação sistémica. É neste ponto que o exercício físico, quando bem individualizado a cada pessoa, é uma mais valia, sobretudo no que concerne ao treino de força (com carga externa ou peso corporal).