O outro lado... do «MEXE-TE!»

Atualizado: 11 de Nov de 2019

Na maioria dos métodos vigentes no fitness - nas diversas abordagens metodológicas - o exercício é frequentemente confundido com MOVIMENTO. Sempre que qualquer cidadão se move ao som de uma qualquer música do lado de dentro de um torniquete, é considerado exercício; ou, desde que esteja a mover-se com um haltere na mão, a imitar um movimento animal qualquer, é considerado exercício. Ora, que má concepção! Aliás, desde há vários anos para cá que o chavão é o "mexe-te!!" quando deveria antes ser "mexe-te bem". E isto pode parecer filosofia, mas não é: é ciência! O movimento, por si só, NÃO É EXERCÍCIO, por vários motivos: 1) se fosse, os exercício isométricos não seriam sequer exercícios; e 2) o exercício requer a interação do CORPO com uma RESISTÊNCIA, de forma a configurar um "jogo" de forças internas vs externa, ou também não é exercício. (A neurologia é uma resposta à física, sim, mas a física não são só movimentos - acima de tudo são FORÇAS.)


Além disto, esta "filosofia" do "mexe-te" - já implementada e bem enraizada na sociedade - tem sido contra-producente, e apresento alguns factos que comprovam que a centralização do exercício somente na noção de movimento é errónea:


1) A técnica que mais tem sido usada para prevenir lesões musculares - o alongamento (seja de que tipo for) - revelou-se, depois de tantos anos de uso, equivocada: o alongamento não previne lesões [1], pode até aumentar o risco de lesão [2] e até provocar lesão [3].


2) As mais recentes tendências de mercado, ao trazerem o uso e abuso de métodos de peso livre com movimentos amplos e a velocidades elevadas, trouxeram as taxas de lesão atrás, que agora vão dos 25% aos 75% [4].


3) O frequente recurso a movimentos em exercícios com plataformas instáveis, debaixo da infundada premissa de que irá melhorar a propriocepção e o equilíbrio [5] poderá, igualmente, aumentar o risco de lesão [6].


4) Ao longo dos últimos anos verifiquei um decréscimo no recurso às máquinas guiadas que, também infundadamente, são acusadas de não serem "funcionais" (apesar de nem haver consenso científico sobre a definição de "funcional"). E isto, apesar de serem consideradas o instrumento com menor risco de lesão [7].


5) Por fim, devo sublinhar que, contas feitas às recomendações do ACSM, juntando o cardio-força-alongamento, os praticantes são incentivados a passar cerca de 200 a 300 minutos dentro de um Health Club [8] (número totalmente irrealista para os dias que correm). Tais recomendações, além de estarem infundadas [9], não são precisas, uma vez que similares ganhos de condição física e saúde conseguem-se com doses bem menores [10].


Ora, vamos lá ter consciência: nesta fase em que todos apelam à isenção de IVA para o sector do fitness, é preciso mais rigor! Sou a favor da isenção de IVA? Sim! Mas, mais a favor sou da elevação do rigor técnico-científico que temos de levar a cabo, para que tal medida seja justificada. (E não... não me vou envolver em análises morais das injustas medidas estadistas que isentam outras áreas, e não a nossa - estou centrado na análise da noção comum dos profissionais, acerca do que é EXERCÍCIO.) Então, apraz-me repetir, vezes sem conta isto - e tudo o que ensino tem como base a constante evolução técnica e a excelência:


«Fazer exercício não faz, necessariamente, bem! Fazer o exercício bem é que faz bem.»



© João C. Moscão, direito de autor protegidos.



[1] Herbert, 2002; Lauersen, 2013; Behm, 2016. [2] Bracko, 2002; Waryasz, 2008; Minshull, 2013. [3] Harvey, 2017; Nordez, 2017. [4] Hak, 2014; Weisenthal, 2014; Hopkins, 2017; Mehrab, 2017; Montalvo, 2017; Claudino, 2018. [5] Fisher, 2011; Behm, 2015. [6] Wirth, 2016. [7] Fisher, 2011; Carpinelli, 2017. [8] ACSM, 2018. [9] Smith, 2004; Carpinelli, 2004; Otto, 2006; Bruce-Low, 2007; Carpinelli, 2009; Fisher, 2011. [10] Grgic, 2017; Steele, 2017.

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