lesão, futebol e... FORÇA!

Atualizado: 14 de mai.

Numa recente revisão narrativa, levada a cabo por Mathew Buckthorpe (Southampton FC) e vários colegas do Centro Médico da FIFA (2018), as lesões aos isquiotibiais foram abordadas à luz da ciência e da experiência de terreno. A abordagem que esta equipa de investigadores faz ao assunto da prevenção deste tipo de lesão muscular é pouco tradicionalista, porém, realista e concordante com a lógica e a ciência. Assim, os autores alertam que está já claro na literatura científica que o treino de força, nomeadamente o exercício excêntrico, pode reduzir a incidência de lesão por distensão nos isquiotibiais em atletas de futebol. Porém, a esmagadora maioria dos clubes europeus não adoptam esta diretriz - muitos recorrem (ainda) aos alongamentos, e, os poucos que recorrem ao treino predominantemente excêntrico, é por acreditarem que o problema é derivado do "encurtamento muscular".


De facto, os atletas com fascículos mais curtos têm maior tendência para se lesionarem, e, de facto, o treino excêntrico poderá (ainda que nem sempre) aumentar o comprimento fascicular do músculo e reduzir significativamente o risco de lesão. Porém, não está ainda clarificado se tal efeito é derivado diretamente do aumento fascicular ou se resulta do ganho de força, em si mesmo. Ou seja, o aumento do comprimento fascicular poderá ser somente uma adaptação transiente e que em nada tem que ver com a redução dos índices de lesão. Até porque, como já se sabe também, o alongamento poderá aumentar o comprimento fascicular, mas não previne lesões de forma significativa (Lauersen, 2013; Behm, 2016), provocando até perda aguda de força (Rubini, 2007; McHugh, 2010; Kay, 2012; Simic, 2012) e não apresenta um efeito crónico relevante nesta qualidade física (Medeiros, 2017) - se fosse somente pelo "simples" aumento do comprimento fascicular que as lesões se previnem, o alongamento teria um efeito preventor de lesões musculares, mas... não tem!